sábado, 25 de março de 2006

Extreme Metal Fest – Led Slay - 25-03-06

(Trabalho para o Portal do Inferno)



Tinha tudo para ser um tremendo tiro n´água. Um festival grande, com oito bandas, na Led Slay. Péssima divulgação. Sábado chuvoso e no mesmo dia do show do Helloween. E não venha dizer que são públicos diferentes, pois ouvi muitos comentários dias antes dos shows de pessoas que tiveram que escolher em qual ir. E na verdade, o evento beirou o catastrófico até quase sua metade, pois as três primeiras bandas tocaram para ninguém. Quando a primeira banda subiu ao palco, além de mim e minha namorada, haviam mais quatro pessoas na casa. E esse foi o público deles durante todo o show. É verdade que quando o Candlemass, a grande atração do evento, subiu ao palco, a casa estava tomada. Mas tenho certeza que se tivesse acontecido uma divulgação que o porte do evento merecia, esse público poderia ter sido muito maior. Vale a pena dizer também que a organização durante o evento foi impecável. Todas as bandas, com exceção das internacionais, tiveram exatos vinte minutos de palco, e mais vinte de intervalo entre uma e outra para montagem de palco. Ninguém foi favorecido. Na verdade, acredito que as bandas nacionais mereciam um pouco mais de atenção, tiveram pouquíssimo tempo para se apresentar. A informação que corria nos bastidores é que o Candlemass tinha horário marcado para pegar o avião, o que fez com que o festival terminasse muito cedo, antes mesmo das três horas da manhã. Isso fez com que a casa permanecesse aberta, rolando som mecânico até as cinco horas.

Os primeiros a subir ao palco foram o Diabolical Possession, banda do Vale do Parnaíba. Infelizmente, não é possível dizer muito sobre a apresentação, pois o som estava completamente desarrumado, não se ouvia absolutamente nada além da bateria e de um pouco do vocal. E, para não cometer alguma injustiça, isso é tudo o que se pode dizer.

Na seqüência veio o Gammoth, da cidade de Leme. Nesse momento o som já estava um pouco melhor, e já era possível distinguir alguma melodia. A verdade é que o Gammoth dispensa comentários. Vem galgando seu espaço no cenário Death brasileiro a passos largos. Assim como a uma semana atrás em Ribeirão Preto, no Metal Rebellium, a banda executou dentro das limitações técnicas do local um bom show, dessa vez contando com a presença de seu guitarrista oficial Thales, que não esteve presente no evento citado.

A terceira banda foi o Bywar. Thrash Metal oitentista de primeira, com tudo o que o estilo pede: muita energia no palco e velocidade nas músicas. Realizaram um show correto, que soube levantar o público que a esse momento já contava com umas duas dezenas de pessoas a frente do palco. E som também começava a tomar ares de ser arrumado.

Com o som finalmente ajustado ao nível de se destinguir todos os instrumentos e a casa ganhando ares de evento realmente com a chegada de mais pessoas, subiu ao palco o Clinched Fist. A proposta da banda é resgatar o Heavy Metal raiz dos anos oitenta. E devo dizer que conseguem isso. Fazem um som direto, sincero, sem muitas firulas. A banda possui todo o visual da cena que se propõe. Mas infelizmente também resgatam toda a pataquada dos clichês a exaustão nas letras e nomes das músicas. Destaque para o vocalista, que realmente canta muito bem.

A quinta banda foi o Ophiolatry, oriundos de Pindamonhangaba, e trouxe a maior curiosidade do evento: Metal extremo tocado com bateria eletrônica! Como baterista, devo confessar que isso foi no mínimo inusitado. É interessante por um lado, pois se torna totalmente possível visualizar todo o trabalho, principalmente de pernas, do baterista. Mas também tenho que dizer que isso não trouxe um bom resultado final para o som da banda. Pois, por mais rápido e preciso que seja o baterista, o som eletrônico é muito frio e sem vida, sem peso. E realmente não foi uma combinação muito boa com o som extremamente agressivo e pesado que a banda produz em seu Brutal Death Metal. Exemplo disso é que o próprio público não aceitou muito bem isso, criticando e xingando sempre que uma brecha para isso surgia. E isso se intensificou após uma espécie de solo que foi feito, onde o guitarrista ficou trocando os efeitos do módulo da bateria. Realmente desnecessário e de muito mau gosto.

Para fechar a fase de abertura do festival, com as bandas nacionais, o Ungodly. Sem sombra de dúvida o melhor show nacional da noite, com muito peso e velocidade na medida certa. Os caras possuem um nível profissional acima da média, sabem se portar no palco, preenchendo com muita propriedade todos os espaços. Conseguiram cativar todo o público que estava na casa, sendo ovacionados como qualquer outra banda grande, assim como eles também já o são.

O Averse Sefira subiu ao palco e para minha surpresa trouxe consigo um som muito estourado e por vezes até incompreensível. Por ser a primeira banda internacional da noite, imaginei que seu som estaria melhor equilibrado do que todos que haviam tocado até então. Mas infelizmente, para todos os fãs que ali estavam, da própria banda ou do Metal extremo, o som ficou muito ruim em sua apresentação. A trio texano realizou em quarenta minutos um grande show, praticamente sem intervalo entre uma música e outra, mostrando o por que de ser hoje um dos grandes dentro do Black Metal. O que vale ressaltar na passagem deles por aqui é o respeito pelos fãs. Tanto antes quanto após o show foi possível ver os caras andando normalmente por entre o público. A banda sempre demonstrou seu respeito pelos fãs brasileiros, inclusive tendo a opção de língua portuguesa em seu site oficial. E mostraram que isso não é apenas imagem com essa atitude.

Pouco mais de vinte minutos após, com todas as devidas cruzes colocadas no palco, o show do Candlemass estava pronto para começar. O público já estava em polvorosa, entoando coros com o nome da banda. O local nesse momento já estava todo tomado, mostrando que o Candlemass realmente possui um grande, fiel e ensandecido público aqui no Brasil. Luzes apagadas, introdução mecânica rolando e o público se amontoando a frente do palco. A introdução termina, nada acontece e as luzes voltam a se acender, deixando a todos sem entender nada. Mais quase dez minutos nessa espera, ritual repetido, apagan-se as luzes, soltam a introdução, mas dessa vez os membros começam a ocupar o palco. E enfim o tão esperado show do Candlemass começava. E por exatos duas horas o que se pôde ver foi o melhor que o Doom Metal pode oferecer. Para quem conhece a banda, não é preciso tecer comentários sobre o trabalho dos caras, de uma qualidade ímpar. O que precisa ser dito aqui é que o “mestre” Messiah é simplesmente fantástico no palco! Um dos maiores frontman que já pude ver. Ele não para um só instante, anda de um lado para o outro, fala o tempo todo com o público, faz suas dancinhas enlouquecidas que cativam e prendem o público com muita facilidade. E outra coisa que vale ser dita: nunca vi alguém agradecer tanto ao público como ele. Durante todo o tempo do show, após e por vezes até durante todas as músicas Messiah “venerou” o público paulista e, como já se tornou lei entre todas as bandas que aportam por aqui pela primeira vez ou após muitos anos, prometeram voltar o mais breve possível. O show teve dois bis, cada um com duas músicas, e sempre toneladas de agradecimentos. Um show memorável, até mesmo para quem não é grande fã da banda.

SET LIST:
Gothic Stone
The Wells of Soul
Bewitched
Black Dwarf
At the Gallows End
Under the Oak
Mirror Mirror
Copernicus
Demon's Gate
The Day and the Night
Through the Infinitive Halls of Death

BIS1:
Samarithan
Solitude

BIS2:
Crystal Ball
A Sorcerer's Pledge



Sites oficiais:

CANDLEMASS: www.candlemass.com
AVERSE SEFIRA: www.aversesefira.com
UNGODLY: www.ungodly.com.br
OPHIOLATRY: www.ophiolatry.org
CLENCHED FIST: www.clenchedfist.tk
BYWAR: www.bywarthrashers.com/
GAMMOTH: www.gammoth.cjb.net
DIABOLICAL POSSESSION: www.diabolicalpossession.cjb.net

sábado, 18 de março de 2006

Metal Rebellium – Ribeirão Preto – 18/03/06

(Trabalho para o Portal do Inferno)


44ª edição desse que já se tornou um dos maiores eventos de Metal do interior de São Paulo. Essa edição comemorou o aniversário de seis anos do festival, e contou em seu cast com três bandas de Santa Catarina, que atravessaram mais de quinze horas de ônibus para se apresentar no evento. Mais uma da capital e duas do interior. O local não chegou a lotar, acredito que tenha atingido em seu pico por volta de oitocentas pessoas, mas que souberam fazer valer o evento, com muita energia. A organização pecou em alguns fatores, o som não era regulado da mesma forma para todas as bandas. Mas temos que ressaltar que todas as bandas tiveram seu tempo de palco e intervalo entre os shows respeitados. Houve sorteios de DVDs, CDs, piercings e tattoos. O palco contava com um telão posicionado a frente do palco, que exibiu durante todo o tempo imagens de pessoas que acredito tenham sido participantes das outras edições do festival. Uma idéia muito interessante, prestar uma espécie de homenagem a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para fortalecer o nome do evento, mas mal aproveitada, pois essas imagens passavam durante as apresentações das bandas. Momento que, convenhamos, as pessoas que lá se encontravam não estavam interessadas em olhar para o telão. Mas em seu contexto geral o evento foi muito bom. Mas vamos as bandas.

A primeira banda a subir ao palco na noite foi o Symmetrya. Com seu Heavy Metal temperado com ingredientes do Melódico e as vezes até com uma pegada mais Hard Rock fez um bom show, correto. Entre seu material próprio, de qualidade, mandaram os covers de Knocking at your back door, do Deep Purple, e encerraram sua apresentação com Can I play with madness, do Maiden. Souberam manter o público aquecido para a próxima banda.

Na seqüência veio o Perpetual Dreams. Mais uma banda com um bom material próprio para mostrar, com um show cativante, músicas bem executadas com um bom nível técnico. E assim como a banda anterior, também mesclou em seu set list dois covers: No more tears, do mestre Ozzy Osbourne, e o clássico Fear of the dark, obviamente cantado em uníssono pelos que ali estavam.

Para fechar a parte catarinense do cast, a banda Before Eden. A banda exibiu suas composições próprias, regadas a um excelente nível técnico e muito peso, lembrando bastante a sonoridade do Dream Theater no álbum Train of thought. Tanto que mandaram o cover de As I am. Foi a banda que mais executou covers, três ao todo, que foram além do já citado: Blinded, do Evergrey, e Pary Mason, mais uma de Ozzy. Acredito eles terem sido a melhor das três bandas excursionistas, e não diria que foram a melhor da noite pois o Gammoth viria a fazer um grande show mais tarde. Mas a impressão que as três deixaram foi a melhor: muito peso, velocidade e técnica na medida certa, e covers muito bem escolhidos. Fizeram valer as quinze horas de ônibus que enfrentaram.

Para abrir a parte paulista do evento, os veteranos do Andralls. Com um show competentíssimo, destilaram seu Trash Metal com muito peso, velocidade e fúria. Não há muito o que falar do som do Andralls, arrasa quarteirão é o adjetivo que melhor combina com a banda. Tocaram em meio ao seu set o cover de Children of the Grave, do Black Sabbath. A curiosidade foi que terminaram sua apresentação, e em alguns minutos estavam de volta ao palco, meio perdidos, é verdade, e tocaram seu último petardo: Angel of Death, do Slayer. A impressão que deu é que a banda ainda tinha alguns minutos de palco, o que os obrigou a voltar e acabaram por decidir na hora como fechariam essa apresentação.

Na seqüência veio o Gammoth, da cidade de Leme. Death Metal de primeiríssima qualidade, rápido e pesado. A verdade é que o Gammoth já está conquistando seu espaço no cenário nacional, e irão se apresentar no Extreme Metal Fest, ao lado do Averse Sefira e Candlemass no próximo dia 25. Mas a qualidade do som da banda deixa nítido o por que dessa crescente visualização dentro do cenário. A banda não contou com o guitarrista oficial, Thales, que foi substituído por Mexicano, da banda Crystal Lake, também de Leme. Mais uma apresentação no estilo arrasa quarteirão, com grandes músicas, Provavelmente a melhor banda da noite.

Para encerrar, foi reservada a honra a banda anfitriã, Demonya. Death Metal executado apenas por garotas, onde o grande destaque é nitidamente a performance da vocalista Vivian Vollkommen. Um monstro no microfone, com um gutural de fazer inveja a muito marmanjo por aí. Infelizmente, a banda enfrentou vários problemas durante sua apresentação. Retorno que sumia, vocal que era “socado” embaixo das guitarras, guitarras essas que por outras vezes simplesmente sumiam. Não sei ao certo o que se passou nesse momento, a verdade é que o público a essa altura já havia diminuído muito, contando com no máximo um terço do momento de pico, que aconteceu entre o shows do Before Eden e Andralls. E a banda se retirou do palco, nitidamente irritada e decepcionada com tudo aquilo.

No geral foi um grande evento. Cansativo para nós, que nos deslocamos quase 500km para cobrir esse evento, mas com certeza deixando uma excelente impressão. Todas as bandas demonstraram um ótimo nível, dignas de estarem representando a cena e brindando juntas nessa festa de comemoração de seis anos de Metal Rebellium.


Sites oficiais:

Symmetrya – www.symmetrya.com
Perpetual Dreams – www.perpetualdreams.net
Before Eden – www.beforeeden.cjb.net
Andralls – www.andralls.com.br
Gammoth – www.gammoth.cjb.net
Demonya – www.demonya.cjb.net

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Rolling Stones – Praia de Copacabana (RJ) – 18-02-06

(Trabalho para o Portal do Inferno)



Eu nunca fui fã de Rolling Stones. Nunca delirei com alguma música deles, nem citei alguma entre minhas preferidas. Mas, como não se empolgar com a idéia de ver um show dessa magnitude, ao ar livre, na praia de Copacabana?! Realmente, essa foi uma cartada de mestre da prefeitura do Rio de Janeiro. Como 2007 será ano de Panamericano, e todos sabemos que a imagem do RJ não é a melhor a muito tempo, esse show veio para clarear um pouco essa imagem.

Muitas pessoas deixaram de ir nesse show com medo da violência, com medo de arrastões e coisas do gênero. A verdade é que, em dezenove horas que passei no Rio, não vi um único caso. Uma única desavença. Uma única intervenção policial. Resumindo: quem não foi por esse motivo, perdeu!

O dia estava perfeito, um sábado muito bonito, com um calor tipicamente carioca, ou seja, infernal. Chegamos ao local do show por volta de nove e meia da manhã, o que foi muito bom para ver como foi o aumento do público. Todas as estimativas apontavam para um milhão e meio de pessoas, público que não foi alcançado. Segundo a polícia, o número chegou a um milhão e duzentas mil pessoas. O engraçado é que, até por volta de dezessete horas, a praia estava totalmente tranqüila, diante do evento que aconteceria ali a algumas horas. Era possível transitar entre a avenida e a praia em si com total tranqüilidade. Apenas na área em frente ao palco havia uma grande concentração de pessoas, muitas que já estavam lá a alguns dias. Mas, a partir desse horário, Copacabana virou um formigueiro humano. Pessoas “brotavam” de todos os lugares, aos grupos, e isso fez com que em pouco tempo, aquilo que era um estado tranqüilo se tornou uma “muvuca”. Já não era mais possível transitar com facilidade, toda a área da praia foi tomada rapidamente. No momento do show, por toda a avenida e até mesmo dentro do mar haviam grupos de pessoas. Mas, como já disse, mesmo dentro desse acúmulo enorme de pessoas, não presenciamos um único incidente.

A primeira abertura da noite foi reservada para o grupo carioca Afro Reggae. Além da banda, o grupo possui um trabalho social muito forte e presente nas favelas e periferia do RJ, fato que com certeza foi determinante para estarem ali. Foi uma excelente forma de divulgar para todos os cantos o trabalho do grupo. Em termos de som, o show foi muito fraco. Os instrumentos estavam muito mal ajustados, e a apresentação foi curta. Mas serviu aquilo a que se propôs: divulgar o trabalho social do grupo ao mundo.

Na seqüência veio o Titãs. Colocado de última hora nesse evento, o grupo realizou um show apenas com músicas antigas, de sua fase mais atitude. O problema de sua apresentação é que seu som conseguiu ficar em pior estado até que o show anterior. Não se destinguia nitidamente nenhum dos instrumentos, o som ficou embolado demais durante todo o tempo. E o grupo acabou realizando um show curto, que pouco causou no público, e que provavelmente passou incólume por quem estava lá.

E, pontualmente as 21h45, rendendo-se a grade de programação da Rede Globo, os Stones entravam no palco. Engraçado foi o comentário que ouvi: “meu Deus, até Keith Richards se vende para a Globo!”. Verdades marketeiras a parte, outra verdade é que o show em momento algum “explodiu”. Não teve um só grande momento. Foi um bom show, regular, mas podendo até ser considerado fraco se comparado com shows de outras turnês da banda. Mick Jagger continua com uma energia invejável, agitando e andando por todo o palco durante todo o tempo, até se arriscando em alguns acordes de guitarra. Keith também se arriscou, mas no vocal, em uma de suas canções de trabalho solo. Nesse momento aconteceu um dos pontos altos da apresentação: Keith chega ao microfone e diz “é bom estar tocando aqui... é bom estar tocando em qualquer lugar”. Um tapaço com luva de pelica na cara de todos que quiseram mistificar essa apresentação, dizendo que a banda escolheu o RJ para registrarem esse recorde de público. O show em si foi um espetáculo, como já era esperado. Luzes, um palco gigantesco, e até um pequeno palco móvel que avançou alguns metros em meio ao público. Durante quase duas horas a banda passeou por entre músicas de seu último trabalho, clássicos e músicas “tapa buraco”. Praticamente todos os clássicos foram tocados, fechando com o hino Satisfaction. Faltaram músicas como Like a Rolling Stone, que sinceramente não entendi o por que de não ser tocada, e Paint in Black, que em minha opinião é a melhor música da banda, e quase nunca executada ao vivo. Foi um grande show, mas um show menor se comparado com a grandeza dos Stones. Não foi um show inesquecível, mas sim um evento inesquecível. A prefeitura do RJ marcou mais presença do que a própria banda...

SET LIST:
Jumpin' Jack Flash
It's Only Rock 'n' Roll
You Got Me Rocking
Tumbling Dice
Oh No, Not You Again
Wild Horses
Rain Fall Down
Midnight Rambler
Nightime's the Right Time
This Place Is Empty
Happy
Miss You
Rough Justice
Get Off Of My Cloud
Honky Tonk Women
Sympathy For The Devil
Start Me Up
Brown Sugar

Bis
You Can't Always Get What You Want
Satisfaction

sábado, 10 de dezembro de 2005

Dream Theater - Credicad Hall - 10/12/2005

(Trabalho realizado para o Portal do Inferno)



10/12/2005. Um sábado frio e chuvoso. Mas uma data aguardada ansiosamente a seis anos por todos os fãs de Dream Theater. Seis anos de uma longa espera desde aquele show na última edição do Monsters of Rock, em 1998. E confesso que me surpreendi ao chegar no Credicard Hall. Sabia que ambas as datas haviam dado “sold out”, mas ver a multidão é algo que assusta. A fila, duas horas antes do início do show, praticamente dava a volta na casa. Logo imaginei como seria o aperto lá dentro...
Com exatos trinta e dois minutos de atraso, devido a um problema no lado esquerdo na grade de contenção, as luzes se apagam e enfim o show iria começar. Uma breve introdução e a banda surge no palco mandando The root of all Evil, do álbum Octavarium. Nesse momento era impossível ver algo no palco, devido ao volume ensandecido de gente que se apertava e se empurrava na pista, algo bem acima do normal de qualquer outro show. Na seqüência veio mais uma do Octavarium, Panic Attack. Ao final dessa música os ânimos já estavam um pouco mais controlados, e já era possível assistir ao show. E, para minha surpresa e talvez para a de muitos, começaram a tocar A Fortune in Lies, música de seu primeiro álbum A Dream and a Day Unit. Confesso que fiquei emocionado ao ouvir essa música, tocada com um grande feeling. Na seqüência, Under a Glass Moon, faixa do álbum Images and Words. E aí sim, ao término dessa, enfim a banda faz uma pausa para se comunicar com o público. LaBrie começa agradecendo ao grande público presente naquela noite, comenta que já faz muito tempo desde a última vez no Brasil, e por esse motivo haviam preparado algo especial. Disse que tinham várias músicas para tocar, e que fariam uma passagem por todos os álbuns da banda. Imediatamente começaram a executar Caught in a Web, do Awake. Na seqüência, Peruvian Skyies, do ábum Falling into Infinity. No meio da música, duas pequenas palhinhas, Wish you Where Here, do Pink Floyd e Wherever a may Roam, do Metallica, o que contribuiu para esquentar mais ainda a galera, onde todos “cantaram” a melodia da música em coro. A essa altura, com os ânimos já bem controlados, o que definitivamente não significa que alguém estivesse frio, e cada um já com seu respectivo espaço “conquistado”, pude perceber que o público dividia seu assistir ao show entre o palco e os telões laterais da casa. As imagens ficavam quase sempre centradas em Portnoy, com raras aparições dos outros membros. Mas sou obrigado a dizer que, com aquela multidão absurda lá, os telões muitas vezes eram a melhor saída para se ver algo mais detalhado. Na seqüência, praticamente sem pausas, Strange Deja-vu, do Scenes from a Memory e Solitary Shell, Do Sex Degree of Inner Turbulence. Confesso que essa me trouxe lágrimas aos olhos, pois se trata de uma de minhas preferidas. Após essa música, LaBrie anuncia o término da primeira parte do show, e uma pequena pausa de vinte minutos. Nesse momento já havíamos tido sessenta e cinco minutos de música.
Muitos deixaram seus lugares na pista, e dentre esses eu, que precisava muito me re-hidratar, pois depois de todo aquele aperto inicial me sentia uns vinte quilos mais leve! Feito isso, respirado um pouco sem aperto, volto para a pista e eis a minha surpresa, e acredito a de muitos: haviam tirado os telões! Sem nenhum aviso prévio, e até onde me consta nenhum motivo específico para isso, os telões haviam simplesmente sido retirados de lá. Cheguei a imaginar que teriam sido deslocados para o palco, para serem usados em algo especial durante a segunda parte, mas não aconteceu. Prejudicaram o show com isso, mas enfim...
A segunda parte começou com As I am e Endless Sacrifice, do álbum Train of Thought. Na seqüência, executaram I Walk Beside You, uma música realmente linda, com seu refrão cantado em uníssono por todos os presentes, e na seqüência Sacrificied Sons, ambas do álbum Octavarium. Nesse momento, a banda agradece a todos e se despede, anunciando o fim do show. Claro que todos sabiam que não era o fim, tanto que em poucos segundos a banda já havia retornado para o palco. Nesse momento, Jordan Rudess aparece sozinho no palco em meio a dois teclados, e inicia um solo, dando início a execução de Octavarium. Era inacreditável para mim, que não esperava a execução de uma música de vinte e quatro minutos naquele show, ainda mais no bis. Após alguns minutos, LaBrie surge no palco, e começa a tocar um dos teclados, fazendo base para que Jordan sole no outro. E a música é executada em sua íntegra, ficando até um pouco maior, com vinte e seis minutos de duração. Particularmente, fiquei extasiado com aquilo. Imediatamente após o seu término e a conseqüente ovação geral do público, iniciam Learning to Live, do Images and Words. Mais um presente para os fãs, e a música que originalmente possui doze minutos acaba ficando com dezesseis, graças a Petrucci que estendeu seu solo. E eis que havíamos sido brindados com quarenta e dois minutos praticamente initerrúptos de música. Coisa que apenas Dream Theater é capaz de fazer ao vivo. E agora sim, o show chegava ao seu fim, com a típica seqüência tão conhecida pelos fãs: Portnoy vestindo seu hobby de boxeador e toda a banda se unindo a frente do palco para saldar o público. Nesse momento, todos entoavam um coro pedindo por Metropolis, “hino” do DT entre os fãs. Mas o pedido não foi atendido (a música foi executada no show do domingo). LaBrie agradeceu a todos e a banda se retirou, permanecendo apenas Portnoy no palco, também agradecendo e dizendo esperar ver todos novamente no domingo, e anunciando que haviam preparado algo especial para então.
Foi um grande show, mas faltou algo que é a cara do DT ao vivo: solos. Não houve nenhum, nem mesmo o de bateria que é algo latente em seus shows desde a turnê do Awake. A banda se portou de forma relativamente fria durante todo o tempo no palco, mas nada muito diferente de seus outros dois shows no país, em 1997 e 1998. O único que realmente agita, o mínimo que seja, durante todo o tempo do show é Mike Portnoy, e mesmo assim não fez muita coisa. Isso tudo, juntando-se o fato da retirada do telão, contribuiu para um gosto meio amargo na boca de quem já havia visto as outras passagens da banda por aqui. Mas, para quem estava vendo a banda pela primeira vez, com certeza nem se apegou a isso, pois fizeram um show extremamente competente, com a virtuosidade que lhe é peculiar, e presenteando os fãs antigos com músicas a muito não executadas. Um show para ficar guardado na memória de todas as gerações de fãs.