quinta-feira, 28 de abril de 2011

W.O.A. Metal Battle 2011 - Seletiva São Paulo - Manifesto Bar

Aconteceu na noite fria do dia 28/04 a etapa Paulista do maior embate mundial de bandas, que garante ao vencedor de cada país envolvido a oportunidade de se apresentar no maior festival de Metal do mundo: o Wacken Open Air. Primeiramente, gostaria de citar um fato que percebi: incrível o número de pessoas que vivem o Heavy Metal aqui em SP que não fazem idéia do que seja esse evento. Chega a ser triste ter contato com isso. Parece que apenas as bandas se importam com este que é, fácil, o maior evento no calendário de bandas fora dos holofotes do main stream. Outra coisa triste a ressaltar: organizadores continuam pensando numa frequência que apenas as cabeças distorcidas deles entendem. Fazer algo assim, numa quinta-feira, e ainda ter o despeito de atrasar uma hora e meia chega ser ridículo! Isso, para mim, soa quase como a corroboração da máxima que diz que “todo músico é vagabundo”. Afinal, nessa ótica, ninguém precisa acordar cedo no dia seguinte para trabalhar ou estudar, não é? Coisas de Brasil. Mesmo com isso, o público na casa podia ser considerado grande. As bandas conseguiram mobilizar seus amigos e fãs, e o que todos viram ali foi algo nítido: o Metal nacional continua vivo, vigoroso, atuante e muito bom!

As bandas indicadas para a disputa por SP foram: Innervate (Doom Metal), Woslom (Thrash Metal), Furia Inc. (Thrash Metal), HellArise (Death Metal) e Red Front (Grindcore). Confesso minha praticamente total ignorância em relação a elas até o momento de suas apresentações. E fico muito feliz em dizer que todas deixaram uma impressão deveras forte e positiva em mim. Todas as cinco bandas fizeram apresentações extremamente competentes, mostrando músicos coesos e com uma energia em cima do palco poucas vezes vista antes! Fosse qual fosse a banda no palco, tendo seu público particular ou não, todas levantaram o público, como um digno festival de Metal.


A banda responsável por abrir a noite (como já citado, com uma hora e meia de atraso) foi a Innervate, atual projeto do grande Pedro Salles, idealizador do mítico Avec Tristesse. Com um Dark/Doom incrível, trabalhado e criativo, esta foi a banda que musicalmente mais me impressionou na noite. Contando ainda com o onipresente André Ataíde na bateria (Imminent Attack, Eternal Malediction entre outras centenas!), a banda fez seu debut em palcos com uma apresentação competentíssima. Se mantiverem essa linha, o mundo os aguarda!


Na sequência, a pancadaria desenfreada do Woslom. Mostrando que o Thrash continua vivo e forte, os caras detonaram um vigor impressionante na meia hora de palco que tiveram direito. Fiquei estupefato com a presença de palco do guitar Rafael Iak, um verdadeiro Tsunami das seis cordas! Esses já estão prontos para ganhar o mundo.


Fazendo exatamente a metade da noite, o Furia Inc. subiu ao palco certamente com o maior público do local. E eu admito que tenho um certo receio com bandas que mobilizam muito público em festivais desse porte. Ainda mais quando no meio do show o vocalista agradece ao produtor, que está entre o público. “Excesso de profissionalismo” nesses eventos, no Brasil, carrega uma alcunha meio negativa. Entretanto, a banda mostrou um som muito poderoso e coeso, porém sem grandes novidades. Um show mediano.


Logo após sobe ao palco as meninas do HellArise. Metal extremo competente, de ótimas composições, temperado pelo fato de a banda contar apenas com mulheres em seu line up. O diferencial que Angela Gossow eternizou, as meninas elevaram ao limiar. Apresentação vigorosa, com nítido destaque para a vocalista Flavia Morniëtári, um verdadeiro demônio ruivo atrás do microfone!


Fechando a noite, o Red Front. E aqui tenho que dizer: o inferno subiu a Terra e tomou conta do Manifesto por meia hora. Impressionante a apresentação desses caras. De uma força e um vigor de calar a boca de muita banda gringa! O vocalista Leo e o guitar Oscar tiveram o público nas mãos todo o tempo, público este que transformou aquele pequeno espaço a frente do palco, como disse Leo antes da última música, numa “praça de guerra”. Nesse momento, Oscar desceu à pista, separou o público em duas partes, voltou ao palco e então a roda começou, lembrando aquelas cenas épicas de batalhas medievais. Outro momento a ressaltar foi quando a dupla citada levou ao centro do palco um boneco com a reprodução do rosto do Pe Lanza, vocalista da banda Restart. Após um breve discurso, jogaram o boneco para o público, para que este pudesse “brincar” com o dito. Não preciso dizer que em menos de cinco minutos não havia nem história do boneco para ser contada, não é mesmo? Devastador é a palavra que melhor me ocorre para definir essa apresentação.


Os vencedores da seletiva, claramente, foram os caras do Red Front. Segundo a organização, na votação mais acirrada da história do evento. Mas os vencedores da noite, sem sombra de dúvida, foram todos os Head Bangers que compareceram ao local, numa noite de quinta-feira, fria e chuvosa, e presenciaram uma noite de celebração. Uma noite para calar a boca de qualquer um que disser que o Metal nacional está em coma.




http://www.myspace.com/innervateofficial
http://www.myspace.com/woslom
http://www.myspace.com/furiainc
http://www.hellarise.com
http://www.myspace.com/bandaredfront

sábado, 9 de abril de 2011

Muse – Estádio do Morumbi – 09/04/11


Abertura de luxo para esse que foi o maior espetáculo já presenciado por mim. O U2 provou que aprendeu a fazer mega shows, e que realmente não é exagerado o título dado por alguns de melhor banda do mundo. Em termos musicais, discordo veementemente, mas em termos visuais, ao vivo, são imbatíveis. E quem teve a honra de fazer parte dessa festa dessa vez foi o Muse, uma das melhores bandas surgidas na última década. Quando essa tour foi anunciada, cheguei a ver muita gente dizendo que iria apenas para ver o Muse. Como naquele momento eu desconhecia o trabalho deles, como um todo, cheguei a considerar exagero. Mas, após conhecer a fundo todos os seus álbuns, percebi que os comentários eram plenamente aceitáveis! O Muse é uma grande banda, de três músicos extremamente competentes no que se propõe, e que demonstraram uma energia incrível no palco! Ok, suas músicas são ótimas, e seu show deve ser muito bom. Mas, naquele palco do U2, com aquele telão, aquela estrutura toda podendo ser usada por eles também, tudo isso deu um up incrível em sua apresentação. E o que tivemos foi, como disse na abertura da resenha, uma abertura de luxo!
Como já é comum hoje em dia, todos nós vamos para os shows já cientes do que (provavelmente) ouviremos. Os repertórios de shows anteriores das tours são facilmente encontrados na internet hoje. E o Muse “quebrou as patas” dos metidos a espertinhos ou ansiosos (me incluo nessa), pois mudaram metade do set list de seu último show na América do Sul, realizado na Argentina. Subiram no palco e já começaram a “quebrar tudo” mandando Uprising, uma das melhores e mais fortes músicas de seu repertório. Incrível início de show! Na sequência, a 1ª mudança, que me deixou extremamente feliz: Stockholm Symdrome. Música extremamente forte, pesada, com uma pegada incrível, e que ficou ainda mais forte ao vivo! Após essa, vieram com Supermassive Black Hole e então um breve trecho de Colateral Damage, que deu a introdução para United States of Eurasia. Lindo, um dos melhores momentos do show. Após essa, mais uma mudança no set: Interlude/Hysteria, grande música! Na sequência, Starlight, que também ficou linda ao vivo. Mais uma mudança: Plug in Baby. Essa, em minha opinião, poderia ter sido deixada de lado, e alguma mais forte e popular colocada em seu lugar. Continuando, uma intro na gaita, de clima meio soturno, e então vinham os Knights of Cydonia par encerrar essa apresentação.
Para mim, ficou uma ótima impressão, de uma banda super competente tanto em estúdio como ao vivo. Um grande show, coeso, forte, divertido, que causou excelente impressão nos fãs, e deixou uma curiosidade positiva em quem ainda não os conhecia. Nitidamente, uma grande escolha feita pelo U2, que apenas abrilhantou mais ainda essa noite, e certamente toda a tour.

domingo, 20 de março de 2011

Draconian Times Tour – Paradise Lost



Antes de mais nada, acredito ser válido um breve posicionamento sobre o que fez esse momento acontecer. O Paradise Lost (vamos chama-lo daqui em diante apenas de PL) é um fenômeno as avessas. Com seus vinte e três anos de estrada, nunca fez parte do hall das mega bandas. Mesmo tendo em seu curriculum o fato de terem sido os inventores do Gothic/Doom Metal, estilo hoje tão difundido e até certo ponto saturado, mergulhado em clichês cansativos que já não remetem mais ao que o PL apresentou ao mundo duas décadas atrás. O PL talvez seja a única unanimidade que conheço no mundo Metal: ou vc é fã, ou vc respeita. Jamais ouvi um comentário depreciativo em relação a sua extensa estrada, que em tantas vezes já se reinventou. E sim, claro, nunca agradou plenamente a todos os fãs. Muitas mudanças de direcionamento musical, muito até experimentalismo marcou essa estrada após o artigo em questão aqui: o mítico álbum Draconian Times. Isso provavelmente explique uma parcela da força e peso que esse álbum carrega dentro da história do estilo. Ele foi um marco, uma inovação, um divisor de tudo o que foi feito até ali. E, calculadamente ou não, com as citadas mudanças bruscas de direcionamento musical que a banda trazia a cada novo trabalho, os fãs mais clássicos (me incluo nesse grupo) foram desejando cada vez mais e mais um revival dos tempos de Draconian (com perdão do trocadilho). Era meio inadmissível que uma banda responsável por tantas mudanças no meio Metal flertasse tão claramente com o eletrônico, chegando ao ponto de lançar um álbum quase sem guitarras (o extremamente controverso Host). E, sem medo de errar, digo que todos esperavam o momento em que um “novo Draconian” seria lançado. E aí acredito estar a raiz do mito. Raiz sim, motivo do, jamais. O Draconian Times é um álbum fenomenal, com músicas fortes e marcantes, letras históricas e inspiradas. Contou com uma produção esmerada e uma arte gráfica muito bonita. E assim, de forma natural, tornou-se um ícone. Um divisor, um marco na carreira do PL e, consequentemente, isso tudo dentro do Gothic/Doom Metal. Logo, o relançamento desse álbum hoje não chega a ser uma surpresa, assim como a turnê armada para divulga-lo, onde o mesmo está sendo tocado na íntegra. Na verdade, isso não passa de um grande agradecimento da banda aos seus fãs, que sempre sonharam em poder presenciar isso. Mesmo que fosse apenas em um DVD, já que (por enquanto) essa tour tem apenas sete datas e fechará com uma apresentação em Londres, onde será gravado o citado DVD. Obvio que ninguém imagina e quer que isso pare nessas sete. Todos que seguem o PL à tempos desejam ver isso se transformando numa grande turnê mundial. Mas, por hora, o que temos são essas datas marcadas, das quais três já aconteceram, na Grécia (as duas primeiras em Atenas e a 3ª na cidade de Thessalonika). E nossos amigos gregos foram bem simpáticos fornecendo vídeos de quase todas as 19 músicas executadas nesses três dias.

Os shows e a execução do Draconian Times


Algumas questões estavam em minha mente desde o dia que soube que essa tour existiria. 1° - teclados ao vivo ou samplers, como sempre foram usados, já que o Draconian tem muito teclado de apoio? 2° - Desde a saída de Lee Morris a banda não teve mais backing vocal, e o Draconian é permeado de backing vocals. O que seria feito? 3° - Qual o cuidado que o Adrian Erlandsson (novo e renomado baterista da banda) teria ao tirar essas músicas, já que a mudança na parte rítmica no PL com o Draconian foi gritante? Aliás, arrisco a dizer que o fator fundamental, musicalmente falando, para essas músicas serem tão fortes seja justamente a bateria, que teve um salto gritante com a saída de Matt Archer e a entrada do Lee, que criou linhas realmente incríveis e novas para aquele momento.
Duas dessas perguntas foram respondidas já no vídeo de Enchatment, que obviamente abre os shows. Havia um teclado no palco! E um tecladista atrás dele! Milley Evans (tecladista da banda Terrorvision), assumia o posto de sexto homem em palco nessa tour. Assim como também todos os backing vocals. Que diga-se, estão sendo feitos a risca! Fortes, como são os originais, chegando quase a sonoridade ouvida no álbum. Incrível e reconfortante! A última das perguntas foi sendo respondida a cada novo vídeo assistido, e confesso não conseguir expressar uma opinião. Prq, fica nítido que Adrian estudou as músicas, pois até a Elusive Cure (incluo Shades of God aqui também) todas estavam sendo executadas quase como num playback! Sequer a contagem de tempo no chimbal durante as pausas, algo natural em execuções ao vivo mas não existentes na gravação em estúdio, ele estava fazendo. Porém, senti falta de trechos marcantes em Jaded e I See Your Face, onde ele inventou todas as viradas da introdução. Mas nada se compara ao feito na Yearn for Change. Essa sim não consegui entender o que se passou na cabeça do nosso novo querido baterista. Ele suprimiu muito do que existe no original. No terceiro show, em Thessalonika, ele simplesmente tocou outra música, pois o que sumiu de notas e frases completas ali não está escrito! Confesso ter sentido uma ponta de revolta ao assistir esse vídeo. Logo, não sei se classifico o desempenho dele como aprovado pela porcentagem maior de momentos fiéis, ou se me decepciono por ele ter modificado justamente as partes mais marcantes. Enfim. Busquem no youtube os vídeos e tirem suas próprias conclusões sobre.


Com as respostas obtidas, fui atentar-me a todo o resto. E o que eu vi foi o PL que estamos acostumados a ver. Sem exageros em cima do palco, uma produção intimista no mesmo, onde vemos apenas um pano de fundo com a capa do Draconian, durante todo o show. Greg com o mesmo visual de 16 anos atrás, Aaron agitando de seu jeito tão característico como sempre. Steve paradão como lhe é característico, embora um pouco mais “animadinho”. Todos cantando as letras o tempo todo, inclusive Adrian. E um Nick um tanto quanto diferente do que estamos acostumados. Tanto visualmente como em sua postura de palco. Pareceu-me mais solto, mais interativo, mais descontraído que o habitual. Como se estivesse sentindo um prazer maior nessa tour que o demonstrado nas outras. Sua interpretação das músicas está muito boa, embora seu timbre de voz hoje não seja aquele que ficou marcado em nossos ouvidos através de anos de audição do álbum. Porém, está casando perfeitamente com o backing de Milley, o que faz as linhas de vocal ganharem uma força nessa tour que nunca havia visto antes. As músicas em si acredito não trazerem tantas surpresas, afinal, de Enchantment até Elusive Cure, todas continuaram fazendo parte de todos os set lists regulares, em todas as tours (inclusive em suas duas últimas passagens por aqui, em 2006 e 2008). Eu mesmo, que pude ver seus shows desde o histórico Monsters of Rock em 1995, já havia ouvido todas essas ao vivo. A surpresa mesmo estava em Yearn for Change para a frente, pois estas estavam deixadas de lado a muito tempo! Infelizmente, após muito garimpar, não consegui encontrar Hands of Reason. Mas posso dizer que, com exceção do citado sobre a parte do Adrian, Yeran for Change ficou linda, extremamente fiel ao original quando ele executou as partes como foram gravadas. De emocionar mesmo! Shades o f God ficou extremamente fiel também, linda. Hands não encontrei. I See Your Face senti meio descaracterizada por completo. O efeito da guitarra na intro não foi o mesmo, as mudanças que Adrian fez, a forma com Nick a cantou. Uma certa decepção até, já que ela é a minha favorita nesse álbum. Porém, Jaded foi executada com uma maestria que foi de chorar a primeira vz que ouvi! Ficou linda, extremamente fiel a original, inesquecível! Arrisco a dizer que foi a melhor execução entre todas as músicas do Draconian nesses três primeiros shows realizados na Grécia.

Minha última curiosidade não era sobre o Draconian, mas sim se eles estariam tocando músicas além das do álbum. E sim, estão fazendo dois encores, o 1° com quatro músicas e o 2° com duas. Destas seis, três estão sendo fixas: Faith Divide us - Death Unite us (que diga-se, ow música forte! Que refrão espetacular!), One Second e Say Just Words. Dois hinos indispensáveis, diga-se. Outras três foram executadas duas vzs: As I Die, True Belief e Embers Fire, que em minha opinião não poderiam sair jamais de qualquer set list deles em qualquer tour! E as outras duas restantes foram Sweetness no 1° show em Atenas e Mistify no 2°. Essa última, surpresa total! Aqui, duas ressalvas apenas: 1ª - nos vídeos do 3° show, em Thessalonika, percebi a banda meio perdida nos encores, coisa que não percebi nos vídeos de Atenas. Prefiro acreditar que seja algum problema técnico da casa onde estavam tocando; 2ª – mais uma crítica ao Adrian. Ele está simplificando demais as músicas. Para quem acostumou com as execuções do Jeff Singer, chega a ser meio frustrante ouvir algumas. Ele conseguiu deixar a One Second mais “reta” do que ela originalmente já é! E estou citando tanto o desempenho de Adrian prq, pela estrada, respeito e capacidade que todos sabem ele ter, é muito estranho ouvir essas execuções. Desejo verdadeiramente que ele tenha um pouco mais de cuidado nos próximos shows dessa tour. Mas foi muito bom ver o clima da banda durante esses encores, sempre descontraídos. Nick e Milley brincando muito com a platéia, iniciando algumas músicas famosas e parando assim que o público as reconhecia. Isso para mim é novidade, e me agradou bastante.


A conclusão que chego é que, se vc não for um fã inveterado, que passou 16 anos sonhando com esse momento, os problemas citados passarão despercebidos, pois a magnitude do momento é muito maior que qualquer um deles. Se vc, assim como eu, é um desses que esperou 16 anos por esse momento, vai sim perceber essas diferenças, mas vai chorar o show inteiro! Prq é realmente emocionante ouvir todas essas músicas sendo executadas, sequencialmente, ao vivo. Qualquer coisa negativa citada aqui não diminui uma vírgula no desejo de presenciar in loco esse show. De vivenciar esse momento. Pois isso é sim algo único dentro do estilo. E a nós, fãs brasileiros, resta esperar que eles tragam isso tudo para cá, para que possamos fazer parte da história assim como nossos (poucos e felizardos) amigos europeus estão fazendo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Katatonia – Hangar 110 – 27/02/11

De alguns anos para cá, os produtores de shows internacionais finalmente acordaram para uma realidade: existem lugares menores e mais acessíveis para a realização de determinados shows que fatalmente não lotariam as grandes casas, o que tornaria suas vindas impossíveis. Com isso, temos tido a oportunidade de assistir bandas com uma, duas décadas de estrada nas costas, mas que nunca haviam aportado em nossas terras. O Katatonia fazia parte dessa lista de monstros sagrados, os quais ainda não podíamos ter tido o indescritível prazer de presenciar. Ícone do Doom Metal a vinte anos, com uma legião de fãs que, confesso, me surpreendeu em número (não havia mais onde enfiar uma alma naquela multidão que se espremeu na mirrada pista do Hangar), e acredito que posso afirmar: se fosse num local um pouco maior, o público teria sido maior também. Mas o que me surpreendeu verdadeiramente (e aqui coloco: MUITO OBRIGADO por essa sensação causada!) foi ver como esses caras, após tanto tempo de estrada, tocando um estilo que passa longe das massas se degladiando de tanto agitar na platéia, conseguem transmitir tanto tesão ao executar suas músicas! Uma precisão, uma pegada, uma interatividade com o público de fazer inveja a muita banda! E isso nitidamente se refletiu no público que, já não bastasse a espera de anos, estava presenciando uma banda adorando o que fazia ali. Tive a oportunidade de ver Iced Earth e Lacuna Coil ano passado, duas bandas que acredito que se encaixem perfeitamente na lista sugerida no início dessa resenha, e o que identifiquei nos músicos de ambas foi justamente essa emoção de estarem sendo recebidos com tanto entusiasmo e energia pelo nosso público. E o Katatonia não fez a menor questão de esconder isso, pois em todos os momentos possíveis algum dos músicos estava falando com o público, agradecendo, entregando garrafas de água ou latas de cerveja. Respeito retribuído.


Infelizmente o show em si teve sérios problemas em seu início, até por volta da sexta música, onde os microfones de backing vocal e as guitarras falhavam a um nível muito acima do aceito em qualquer parte do mundo. Logo na segunda música o show parecia que havia sido paralisado, tamanha foi a demora para se colocar tudo de volta em condições dos músicos desempenharem seu papel. Mas, esquecendo isso, o que se presenciou nessa noite inesquecível foram 19 músicas, distribuídas entre todas as fases da banda (outro ponto a ressaltar: o cuidado que tiveram ao montar o set list, com material desde o início de seu trabalho, já que essa era a 1ª passagem deles por aqui), executadas de forma primorosa! A fidelidade com o som do estúdio é incrível, só que com a pegada, força, energia e interpretações de uma grande execução ao vivo. Day&then the Shade foi a escolhida para abrir. Linda. Na sequência Liberation e então o clássico My Twin. De arrepiar. Onward Into Battle e então aquela que para mim é a mais marcante: The Longest Year. Sim, música do último álbum, para os “reais fãs” nunca uma música de um último álbum pode ser considerada a melhor, mas a primazia que esses caras demonstraram com a gravação do Night is the New Day para mim é incrível. E essa música é uma obra prima! Cantei seu refrão com lágrimas nos olhos! Depois disso, o que se ouviu foi uma sequência digna de entrar para a história como uma das melhores de todos os tempos: Soil`s Song (execução sensacional), Omerta (hino), Teargas (fantástica), Saw You Drown, Idle Blood (linda ao vivo!), Ghost of the Sun (porrada), Evidence, Criminals (para bater cabeça um pouco) e finalmente July (clássico!). Nesse momento a banda saiu do palco, mas todos ali sabiam ainda ter um pouco mais daquilo tudo nos esperando. Voltaram com For My Demons, Forsaker (que pancada ao vivo!), Leaders. E aí, para fechar, como eles mesmos disseram ”Vamos voltar ao nosso tempo de adolescentes”: Without God e Murder, para saciar aqueles que acompanham os caras desde as primeiras toscas e sensacionais composições, com letras que contestavam daquela forma infantil Deus e tudo que o cerca, mas que não pode ser retirado do contexto em momento algum na estrada de nenhuma das grandes do estilo.

Eu poderia resumir isso tudo numa única palavra: inesquecível. Uma noite para ficar marcada na memória de todo Doom Banger existente. Um monstro aportou, finalmente, em nossas terras. E nos presenteou com algo jamais inferior a aquilo que todos nós sonhamos um dia. Confesso estar bem difícil de ouvir outra coisa que não seja os vídeos desse show. Talvez numa tentativa de fazer essa noite ímpar durar o quanto der. THIS night is our new Day!


Para encerrar, o que os próprios disseram sobre essa noite, em sua página no Facebook: WOW Brazil! You guys proved to be the loudest bunch on the whole tour! Rarely have we seen such passion and enthusiasm in the audience from the start till the end and its not often we get our own monitors completely drowned by a choir in the audience. Sao Paolo, we love you...


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Catástrofe em Teresópolis (RJ) - 15-24/01


Marcas do inferno

Quando eu era criança, havia um senhor, morador aqui do bairro, que havia sido Pracinha na 2ª Guerra. E, devido a isso, ele não podia ver a cor vermelha. Ele tinha a vida normal dele, andava pelas ruas, frequentemente quando andava com meu avô nós o cruzávamos. Porém, meu avô sempre me advertiu para ter cuidado com ele, caso ele surtasse algum dia. Eu era muito jovem, estava acostumado a ver aqueles filmes de guerra na TV em que os caras tomam tiros e sequer sangram, que um babaca sozinho derruba na unha um exército inteiro. Aquilo para mim era extremamente complicado de entender. Porém, me marcou demais.
Já adolescente, meu grande irmão, Nick, me contou que sua avó (D. Giulieta, grande senhora, já falecida) não podia ver filmes de guerra. Ela havia sido enfermeira na 2ª Guerra. Italiana natural, esteve na retaguarda, e o que ela tratou por lá a fez não querer ver sequer filmes relacionados ao assunto pelo resto de seus dias.

Sempre achei isso insano demais. Sempre lidei com situações limite (no campo emocional), situações que me destruíram, que eu cheguei a imaginar que fossem deixar marcas negativas imortais em mim. Porém, nunca aconteceu. Logo, para mim, traçar esse paralelo sempre foi um pouco complicado. Passei minha vida inteira precisando de campo. De ação. De algo que me colocasse próximo a aquilo que procurei entender por toda minha vida. E então, no início do ano, aconteceu a catástrofe das chuvas no RJ. E Teresópolis aconteceu em minha vida. E agora acredito entender um pouco disso.


Tenho percebido que, viver de forma direta e intensa situações que fogem totalmente de sua rotina física e emocional, impreterivelmente, deixa marcas. E, algumas situações em específico, vividas no RJ, acabaram por me marcar muito. A primeira coisa que percebi foi minha atitude de olhar de autômato para o céu ao perceber um helicóptero. Lá estava uma própria praça de guerra, e helicópteros passavam a cada 10min. E eu sempre olhava para ver qual era, pois dependendo da “patente” do helicóptero, podia-se descobrir o que acontecia onde ele sobrevoava. E, vivendo numa cidade que, se não me engano é a 2ª maior frota de helicópteros do mundo, acredito que isso mostre como foi meio estranho estar aqui com essa reação autômata.
A segunda coisa que percebi é como meu cérebro recebeu a imagem das fraldas arrumadas no centro de arrecadação. Primeiro mercado em SP, comprar material de limpeza/higiene, e me deparei com aqueles pacotes lá. Paralisei por alguns segundos diante deles, mas não de uma forma negativa. Uma sensação estranhamente difícil de descrever, que não me incomodou, mas me lançou a um breve momento numa dimensão paralela, quase como se eu estivesse lá na ação novamente.


A terceira coisa é perceber como meu cérebro calibrou certas imagens e cores. Estava na casa de minha mãe domingo, olhei pela janela e vi as árvores a frente, e no meio delas o telhado marrom da casa a frente. Ao bater o olho naquilo, eu vi automaticamente lama em meio a entulho. Fui até ela (minha mãe) e perguntei o que ela via ao olhar pela janela. Ela respondeu “Oras, árvores, o telhado de uma casa”. Eu disse “Eu vi lama e verde entulhado”. Ontem, passando em frente ao estádio do Palmeiras, que está em reformas, vi aquelas pilhas de entulho. Na hora meu cérebro ligou aos montes de entulhos vistos por lá, e vc automaticamente começa a procurar por algo em volta. Não esqueça que eu estava trabalhando nos resgates. Mas não havia nada em volta, aquilo era apenas uma construção!


Em relação a lama, uma coisa que me marcou demais foi o comentário do Gato (marido da Beta), em meu 1° atolamento: “Sabe qual meu medo de entrar onde não ta dando? Acabar igual vc agora, mas com o pé enfiado no abdômem de alguém que ainda estiver lá embaixo.” Definitivamente, isso é o tipo de coisa que vc não pensa ao sair de casa e, por mais que vc se prepare para a coisa, ao estar lá e enxergar e verdade da situação, te arregaça internamente. A lama deixa de ser lama, e torna-se uma cova. O entulho passa a ser possibilidade, já que o 1° cachorrinho que resgatamos estava em meio ao entulho.


E tenho percebido que essas são situações que não te apenas calibram, elas te mudam para sempre. Vc, após entrar numa dimensão jamais experimentada, não poderá voltar a ser o que era. Minhas percepções mudaram muito. Minha forma de sentir as situações, minha vontade de viver a vida, tornou-se muito maior e coerente. O caos, a morte e tudo aquilo que normalmente nos posicionamos longe ganham um ar doentiamente natural. Que te faz sentir parte de tudo aquilo. E quando vc passa a fazer parte do caos e da morte, nada mais pode ser vivido e vivenciado da mesma forma que antes.

Acredito que o vazio tenha sido algo extremamente forte também nessa vivência no inferno. Experimentado de algumas formas diferentes.

A 1ª que me lembro nitidamente foi logo no domingo, quando cheguei. A cidade estava acordando, completamente vazia e ali, naquele bairro, plenamente intacta. Dia claro, mais um dia nascendo, uma ou outra pessoa na rua, eu não fazendo idéia de onde estava, porém, tudo lindo a minha volta. Lembro que cheguei a pensar comigo mesmo “Cacete, nem parece que o inferno veio para cá. Ta tudo tão normal aqui!”. Acho que aquele foi o último pensamento assim que eu tive nos dias que permaneci lá. Ainda no domingo, o 2° momento. Gato organizou um churrasco para comemorar o resgate do Tio Pepe (feito antes de eu chegar por lá) e, enquanto todos estavam se divertindo, eu estava na sala, assistindo a TV Teresópolis, vendo imagens e matérias do que acontecia lá. E lembro perfeitamente da sensação de impotência que tomou conta de mim ao me deparar com aquilo. Lá eu estava sendo bombardeado de informação a todo momento. Não era aquela meia hora diária nos jornais da Globo. E, estar ali, para fazer algo, e perceber a dimensão do caos, me fez sentir uma gota em um oceano. Um vazio impotente estranho tomou conta de mim naquela tarde.


Mas talvez o momento mais marcante relacionado a vazio tenha sido na 1ª saída para campo que fiz, nos primeiros passos atrás do Phil. Nossa 1ª parada foi no bairro Cruzeiro, e ali eu tive finalmente meu 1° contato real com a coisa. Havia passado pelo Caleme (que também foi brutalmente arrasado), mas só na entrada, e a noite. Cruzeiro foi, posso dizer, meu “batismo de fogo”, ou mais apropriado, “batismo de lama”. Enquanto Gato e Beta tentavam infos sobre como entrar na Fazenda Alpina (que era nosso destino real), fui fazer um pouco de fotojornalismo. Devo ter ficado coisa de uns 15min no bairro, 5min na parte alta, afetada porém já com vida retomada; e mais 10min na parte baixa, essa sim devastada pelo rio. A sensação de entrar naquele terreno foi indescritível. O que até então era um bairro normal, afetado pela catástrofe, do nada tornou-se uma clareira imensa, marrom, tomada de destroços e entulho. Parei, meio absorto, para fazer algumas fotos, e nesse momento um senhor caminhou em minha direção, vindo de trás. Parou brevemente ao meu lado, respirou um segundo. Eu estava paralisado! Não conseguia dizer palavra diante daquilo! A única coisa que consegui dizer a ele foi “Que coisa incrível, não?” Ele respirou fundo por um momento, e começou a falar sobre o ocorrido. Mas, o vazio em seus olhos era tão grande que mal lembro de suas palavras. Era como se estivesse olhando para um boneco, com aqueles olhos vazios, que buscavam algo naquele terreno que eu jamais compreenderei. Ele terminou de contar sua história, me despedi lhe desejando toda boa sorte do mundo, e fiquei tão destruído ao ver aquilo que sequer consegui fotografa-lo saindo.


E já que vazio também pode ser interpretado como solidão, naquele mesmo dia nós fomos até o Holliday, outra tentativa de chegar na Fazenda Alpina. E lá foi o 1° contato com morte que eu tive, pois o cheiro de decomposição que estava ali (lugar que a Defesa Civil ainda não tinha ido) era tal que nos fez abortar a missão naquele dia. Pensei sozinho: se aquela era uma das entradas, e assim como as outras estava inacessível, para uma região onde deviam ter várias pessoas ainda, como deveria estar o emocional destas? E de todas as outras em situação similar? Como deveria ser presenciar um pedaço do mundo sumir na sua frente, se perceber isolado do mundo exterior, e sem a menor consciência de como proceder a partir dali? No meio daquele caos, essa idéia ganha uma força e uma dimensão impossível de narrar para leitores que nunca saíram da cidade.


Mas o maior vazio de todos foi o sentido aqui em SP. Já de volta, instalado em minha casa novamente, reencontrado com meus pais, a coisa parece que se assenta. E aí vc começa a repassar tudo. E percebe que a vida ganha um vazio insano após uma situação assim. Não ter para quem contar isso, não ter alguém te esperando, é por demais cruel. Sempre vi nos filmes de guerra que a pior coisa enfrentada pelos soldados era receber baixa e não ter para quem voltar. Enquanto o Sol do RJ ainda queimava minha pele, mesmo que em lembrança, isso não me afetava. Lá eu era outro, uma outra vida. Quando a garoa de SP retomou seu posto, parece que nada mais existia a minha volta. E sou obrigado a dizer que isso está me enlouquecendo. Pois lar é onde o coração está. Mas meu coração está suspenso, como um sobrevivente soterrado até o pescoço, esperando ser salvo enquanto ainda seja possível.

Não poderia deixar de citar em específico, falando em marcas, a maior que carrego comigo: o cheiro. Talvez pelo fato de eu ter meu olfato quase que 100% comprometido pelos inúmeros problemas respiratórios que tive/tenho, todo e qualquer cheiro que sinto realmente acaba por me marcar de alguma forma. E aquele cheiro, sentido por três vzs lá, não sairá de mim jamais.
O 1° momento foi no citado Holliday. Mas ali ainda, para mim, não estava tão forte. Acredito que eu estivesse tão afetado por outros sentidos naquele dia que meu olfato continuou em seu padrão normal. Mas eu senti. E não foi nada comparado com o que já senti aqui em SP. Morte, esgoto, lama, tudo isso depositado junto a dias, embaixo de um Sol de rachar. Tentem imaginar.


O 2° e 3° momentos aconteceram no dia em que fui para o posto de arrecadação. Nunca tinha ido tão longe (estava quase em Santa Rita, um dos bairros que desapareceram). Havia ido até alguns KM antes e sempre voltado dali. Naquele dia, ao passar e seguir um pouco além do que havia sido meu limite até então, me vi inserido em uma cena de filme. No exato momento em que passava por ali, me lembrei daquela sequência final de Platoon, ao som de Adágio for Strings, onde o personagem do Sheen sai do campo de batalha de helicóptero, enquanto assiste a limpeza do campo abaixo dele. Se alguém já assistiu, pode ter uma noção. Devastação, muita lama, bombeiros e soldados, com máscaras em meio a muita poeira, trabalhavam ao lado de tratores removendo aquilo tudo. E um cheiro insuportável, que fez a Amanda fechar os vidros do carro enquanto passávamos por ali. Ao passar ao lado daquela cena, lembrei de outro momento clássico dos filmes de guerra, agora o momento final de Apocalypse Now, onde Mr. Brando diz “O horror. O horror.”


E finalmente o 3° e último momento pesado, olfativamente falando, e curiosamente o pior deles: o Hotel Pirâmide. Enquanto estava no posto, surgiu a info que bombeiros trabalhavam a 3kms dali em um hotel que havia caído, e que ainda contava seis corpos soterrados. Os jornalistas da ONG Viva Rio me chamaram para ir com eles até lá, e obviamente aceitei. Peguei a Vick e fui, de viatura policial, escoltado por bombeiros. E, ao adentrar o terreno que era do hotel, pude sentir como devem ser incômodas certas situações para quem tem um olfato que funcione normalmente. Ali a situação estava realmente ruim. Cheguei a perguntar para o bombeiro que nos escoltava como eles agüentavam aquilo. E, falando sobre morte, ele fez mais um daqueles comentários para virar tatuagem na mente. Comentei com ele que achava incrível como eles ainda conseguiam encontrar corpos embaixo de um mar de lama como aquele. A resposta foi apenas “Encontra, encontra sim. O problema é em que estado.” Um pouco abaixo havia um senhor que, segundo o que foi contado, estava ali desde manhã, pois um de seus parentes era uma das vítimas soterradas. No instante em que ouvi aquelas palavras, tentei me colocar no lugar dele, vendo alguém que amo sair dali de baixo, irreconhecível. Sinceramente, acho que ninguém está preparado para isso. Uma das concepções mais Dantescas que minha mente pôde criar.

Esses momentos, para mim, me levaram especialmente a lugares nunca antes explorados em meu subconsciente. As pancadas foram fortes. Mesmo. Isso era o tipo de coisa que voltava a minha cabeça antes de dormir e enquanto eu fazia minha caminhada diária de 10km até o Soberbo. Imagens que vc não precisa buscar, pois elas saltam a sua frente. Pois, acima de ser imagens, cheiros, palavras, são experiências de vida. Muito além das que vivemos em nossa medíocre vida urbana. O medo, a angústia, a solidão, a esperança, o desejo, a força e prq não dizer a fé, o amor e a própria vida ganham nova cor, nova roupagem. Ganham uma força e uma dimensão que só estando ali para enxergar. E mesmo assim esse enxergar é feito com a alma. Vem com o tempo. É absorvido dia a dia. E, ainda não consigo traçar paralelos linkáveis, acabaram por me tornar algo que eu precisava ser. Colocaram minha vida em outro patamar. Porém, algo que admito, não estou conseguindo lidar.


Obviamente que o caos nos afeta muito mais que o Éden, mas seria injustiça narrar apenas as nuvens cinzas da experiência. Afinal, assim como eu fui para lá para trabalhar em prol de uma causa maior, milhares de outras pessoas fizeram o mesmo. E acredito que, olhando agora para aquele momento, eu tenha estado todo o tempo em contato com voluntários tão ou mais valorosos do que eu pude ser. Gato e Beta, que fizeram tantas saídas de campo, resgataram o Tio Pepe e o Phil, assim como seus pertences, além de dois cãezinhos. Ajudaram o exército e a defesa civil, com infos, dados, mapas e mais. Isso sem esquecer da família que abrigaram por um dia em sua casa, retirada de Santa Rita. E tudo isso sem receber um centavo de ninguém, nem mesmo da prefeitura.


O Jeep Club de MG que encontrei no Soberbo, enquanto limpava minha alma após o resgate das coisas do Tio Pepe (o caso do atolamento), que subia a serra com um caminhão com 12 toneladas de água, fora doações menores.
A Amanda, que conheci no mesmo dia e local, foi a responsável pela minha ida até o centro de arrecadação de doações, se tornou um porto seguro por lá. E isso depois de ter trabalhado a semana inteira no posto citado, vindo todos os dias de Caxias.
As pessoas com as quais trabalhei nesse posto, muitos moradores do próprio bairro, fazendo por eles e por todos os outros que também receberiam aquelas doações.


Bombeiros e policiais com os quais pude conversar e ouvir suas histórias, de trabalho ou mesmo de sobrevivência dos que moravam/moram na região.
Veterinários voluntários que conseguiram colocar aquele galpão para funcionar e, pela primeira vz na vida pude ver isso, alguém se preocupando não apenas com vidas humanas. Talvez um dos trabalhos mais belos que pude presenciar. Aquilo era uma loucura, um pequeno caos dentro de um caos maior, mas quando algum cachorrinho chegava, parecia que um Sol particular se abria sobre todos.
Moradores como o citado senhor de olhos vazios, que perderam tudo, menos a vontade de viver e recomeçar. Pessoas que pareciam ocas, mas continuavam caminhando, mostrando uma força humana que eu jamais havia presenciado. Faziam o delas e o dos demais.

Histórias tão distintas mas que, por um motivo maior, se cruzaram. Um motivo que transcendia qualquer normalidade. Um motivo maior a qualquer coisa inerente a vida singular de qualquer um. Ajudar. Pura e simplesmente. Cravar seu lugar no mundo de uma forma que poucos fazem. Soldados heróis sem nome, mas nem por isso menos valorosos. Feitos que, para quem estava sob um mesmo teto, eram reconhecidos nominalmente. Mas, no âmbito maior, aplicado, um nome, um rosto, era o que menos importava. Todos fizeram pelo bem maior. Todos fizeram por seu motivo particular, mas todos fizeram.
Ao sair daqui, eu pensava em escrever uma história forte por lá. Voltar para casa maior, com algo que fizesse os meus se orgulharem de mim. Porém, após chegar lá e tomar contato com tudo, depois de atolar na lama, sentir aquele cheiro, ver olhos vazios, ouvir palavras desencontradas, presenciar a destruição visceral, ver lágrimas, ver sorrisos. Depois de me tornar de alguma forma parte da história, nenhum agradecimento ou parabenização se faz necessário ou tem real sentido. Não é mais possível se sentir maior ou melhor que alguém por estar fazendo o que fiz. O que fizemos. Que para todos nós foi tão pouco. Mas para quem recebeu qualquer coisa daquilo, certamente, foi muito!

Honra. De ter estado lá.
Orgulho. De ter despertado orgulho nas pessoas.
Força. Estendida para estar lá sempre que preciso.

Vazio. Que por mais que eu faça e seja, parece nunca mais sairá de mim.


Local: Bairro Comary - Teresópolis (RJ) - 17/01/11
Grupo de soldados do exército, envolvido em missões de resgate aéreo, chega aos campos da Granja Comary, que foram usados como heliportos improvisados. Também podia-se perceber tendas de campanha e hospitais de campo montados ao lado de onde os helicópteros ficavam.


Local: Bairro Cruzeiro - Teresópolis (RJ) - 18/01/11
Primeiro lugar afetado visitado, e esta foi a primeira imagem real da catástrofe registrada por mim. Percebe-se nitidamente nos escombros a direita que a rua cedeu, e engoliu tudo o que tinha em volta.


Local: Bairro Cruzeiro - Teresópolis (RJ) - 18/01/11
Essa imagem retrata o desespero e incredulidade de Roberta, uma das voluntárias da equipe de campo, diante das imagens observadas no bairro.


Local: Bairro Cruzeiro - Teresópolis (RJ) - 18/01/11
Essa iamgem retrata bem o volume das águas que passaram por ali. As duas margens, entulhadas e afetadas, e o grande vão aberto entre elas. Repare na imagem ao fundo, nas casas, a altura da marca que a água deixou ao passar.


Local: Bairro Meldom - Teresópolis (RJ) - 18/01/11
Abrigo improvisado para animais resgatados.


Local: Parque do Imbuí - Teresópolis (RJ) - 19/01/11
Essa imagem encabeça as fotos desse meu trabalho, pois tornou-se emblemática para mim. Ela mostra dois moradores do condomínio que abrigava vários sítios, e foi grandemente devastado pelo morro que existe logo a frente, que cedeu e varreu tudo pela frente, saindo com o que puderam carregar. O rapaz é o caseiro do local, e foi responsável pela retirada de muitos corpos (humanos e animais) no primeiro momento após o choque inicial. Percebe-se que seu peito foi o local escolhido para que ele demonstrasse e carregasse sua fé e sua proteção: seus pelos foram cortados em forma de cruz.


Local: Mirante do Soberbo - Região Serrana (RJ) - 19/01/11
Após um dia de muito trabalho em campo, uma pausa no mirante, para apreciar a vista privilegiada da Serra dos Órgãos. E, eis que no exato momento em que paramos lá, uma tempestade sobre a cidade do Rio pode ser vista entrando pelo lado direito da imagem. Uma imagem extremamente forte, assustadora e linda. A mesma força da natureza que havia causado tudo aquilo, agora encantava e desenhava uma paisagem única.


Local: Bairro Providência - Teresópolis (RJ) - 20/01/11
Galpão improvisado como centro de arrecadação/triagem/distri​buição de doações. O que se percebe claramente nessa imagem é a incrível quantidade de doações de calçados, e a total falta de organização para faze-lo. Muitos mantimentos, roupas, numa demanda impossível de ordenar antes que mais chegue. Este local me fez perceber a grandeza do povo em sua vontade de ajudar.


Local: Bairro Providência - Teresópolis (RJ) - 20/01/11
Esse foi um dos momentos mais marcantes para mim. Enquanto trabalhava no posto de arrecadação de doações, chegou a informação que um grupo de bombeiros estava trabalhando em um hotel soterrado, a 3km dali. As informações contavam também ainda seis corpos não encontrados no local. Fomos eu e mais dois fotojornalistas da ONG Viva Rio para o local, junto com a polícia local, e o que encontramos ali foi uma área totalmente devastada, emoldurada por um cheiro de decomposição impossível de esquecer. Essa imagem me chamou muito a atenção, pois ela mostra um senhor, que permaneceu imóvel nesse local (que um dia foi a piscina do hotel) e posição, durante todo o tempo em que pude estar ali. Ele esperava que fosse encontrado o corpo de um familiar que estava soterrado.


Local: Fazenda Alpina - Teresópolis (RJ) - 22/01/11
Essa imagem foi feita enquanto caminhava por uma trilha que terminava em um alagamento, onde percebia-se em meio a muito entulho, dois carros virados e parcialmente submersos. Me chamou a atenção essa pá fincada e abandonada, que a mim passou uma sensação de desalento, como que quem houvesse começado um trabalho de limpeza do local o tivesse abandonado na sequência, diante da dimensão da destruição.


Local: Fazenda Alpina - Teresópolis (RJ) - 22/01/11
Walter (um dos voluntários) ajudando o pai de Phil (um dos moradores de uma das áreas mais devastadas) a atravessar um rio de lama que se formou em frente ao terreno onde até então existia um sítio. Observem que, apesar de sem correnteza, a água chega ao nível do joelho das pessoas, dez dias após a grande chuva ter acontecido.


Local: Fazenda Alpina - Teresópolis (RJ) - 22/01/11
Resgate do Phil (e de alguns pouquíssimos pertences de primeira necessidade para a continuação da vida), planejado e tentado por mais de uma semana, finalmente realizado.


Local: Fazenda Alpina - Teresópolis (RJ) - 22/01/11
Eu, ao final do resgate do Phil (resgate este que levou mais de sete horas desde seu início até o momento em que chegamos em casa), último dia de trabalho em Teresópolis.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Lacuna Coil – Espaço Lux (SBC) – 19/06/10



Gostaria de começar essa resenha com uma frase dita por mim, um dia antes do show, em tentativa de posicionar a pessoa que conversava comigo diante de minha ansiedade que, naquele momento, quase me fazia passar mal: Me deixa, por favor! Essa é a última das grandes, a última que fiquei mais de década esperando para ver. Já que não vou sentir isso nunca mais nessa vida, me deixa!

E foi nesse clima que vivi os últimos meses, desde o dia em que comprei o ingresso (no 1° dia de venda), até o momento em que eles subiram ao palco: ansiedade plena, quase doentia. Sempre os tive entre meu TOP 3, mas acredito que as circunstâncias tenham aflorado demais isso. Após “uma vida” dedicada ao Metal, com acredito mais de cem bandas assistidas, em todas as casas de show possíveis, com todos os grandes festivais nacionais no curriculum, faltar uma das bandas que fizeram trilha sonora de sua vida é algo que realmente coloca qualquer um no estado em que me encontrava.
Cheguei ao Espaço Lux, em São Bernardo, faltando menos de uma hora para o horário previsto para o início do show (20h). Sabia que não haveria mais banda de abertura (problemas internos de saúde com o Semblant), o que me deixou mais “tranquilo” (se é que essa palavra coube em algum segundo de meu sábado!) sobre chegar lá em cima da hora.Por volta de 20h15, a música mecânica pára, a intro da tour do Karmacode é solta e a gritaria começa. Nesse momento, eu já estava em lágrimas. Um minuto depois, a mesma pára, e o som mecânico volta. Sem ter a mínima idéia do que acontecia, esperamos coisa de mais 15min e aí sim, o show começava para valer! Abriram com I Survive, e vê-los em cima do palco soava a mim como um sonho sendo vivenciado! Era simplesmente inacreditável estar lá, entoando aquele refrão pegajoso junto com todas as pessoas que estavam certamente tão esfuziantes quanto eu! Na sequência Underdog, que confesso não ser de minhas preferidas, mas que funcionou bem ao vivo. Após esta, a 1ª das antigas, Closer. Após essa, Cris Scabbia faz um belo discurso sobre saber viver a vida e encarar tudo de frente, e então mandam I`m not Afraid. Sensacional! Na sequência, Fragments of Faith, e o show começava a ganhar uma força incrível! Após essa, foi a vez de Andrea falar com o público e anunciar duas do Unleashed Memories. Mas espera, duas? Eles vinham tocando apenas uma! Devo ter estampado um sorriso monstro nesse momento, já que o citado álbum é o meu preferido. E eis que vem a surpresa: 1.19. Fantástico! Jamais imaginei ouvir essa música ao vivo. Uma parte de minha vida passando diante de meus olhos com essa trilha sonora. Nesse momento, metade de minha voz já havia virado lenda. Na sequência, uma das que não poderiam faltar: Senzafine. Lindo, simplesmente! Após essa, um dos pontos mais altos do show: I Won`t Tell You, que é uma baita música e funcionou maravilhosamente bem ao vivo! Me acabei de dançar nesta. Sim, dançar! Pois essa música pede isso! Mais um discurso, dessa vez uma homenagem as três perdas irreparáveis do meio Metal no último mês (encabeçadas por Dio), e eles mandam o hino Heaven`s a Lie. Nesse momento fui até o banheiro “tomar um banho” rápido, e lá de dentro pude ouvir a platéia entoando o refrão de forma uníssona. Lindo! Após esta a banda sai do palco, sem dizer nada.
Voltam com apenas quatro membros no palco, e executam Wide Awake, primeiro momento “guenta coração” para esse que vos escreve. Essa letra diz muito para mim, e chorei a música inteira, enquanto tentava manter os olhos abertos e algum arremedo de voz saindo de minha boca. Inesquecível! Após essa, Fragile, que é uma boa música e funciona, seguida pela pedrada To the Edge, essa de uma força incrível! E então o momento pelo qual eu mais esperava. Sem anúncio algum além dos quatro toques no chimbal do Criz, eles iniciam When a Dead Man Walks. Cara, essa música marcou um momento decisivo de minha vida. Lembro que eu a ouvia repetidas vzs, muitas vzs ao dia, durante muito tempo. E agora estava ouvindo ao vivo. Mal consegui abrir meus olhos, de tanto que chorava! Foi lindo, inesquecível, foda demais! Na sequência The Maze e mais um hino: Swamped. Mais uma comunicação de Cris com o público, e eles mandam um dos melhores covers já gravados: Enjoy the Silence. E aqui estava a pausa que anunciava que faltava apenas o bis para o fim do sonho.
Voltam para o palco com a linda Not Enough, seguida da paulada Spellbound, que funciona maravilhosamente ao vivo. E, com aquele discurso característico de sermos “o melhor público do mundo”, e que “eles lamentam muito ter demorando tanto para virem aqui, mas que certamente essa foi apenas a 1ª vz”, anunciam a derradeira Our Truth
A impressão deixada é a de que a banda funciona perfeitamente ao vivo. Com uma sonoridade fiel ao estúdio, porém com todo o feeling que um show pede. Foi incrível! Valeu cada segundo de espera!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Iced Earth – Via Funchal – 06/02/10



5000 caracteres não serão suficientes para descrever o que foi essa noite. Nem para mim, nem para o público, nem para eles. Uma comunhão como a muito eu não via aconteceu, aliás, não só essa noite, como essa semana. Afinal, desde o show do Metallica, exatamente uma semana atrás, percebe-se fortemente que o público brasileiro aprendeu a desenvolver um magnetismo provavelmente único em dias de show. A expressão do Kirk ao final do show do Metallica não era nada diferente das expressões durante todo o show nos rostos de Matt Barlow e Jon Schaffer. Êxtase, como dificilmente vemos em bandas. A alegria de estar ali tocando. Claro, sempre haverá os “pau-no-cu” que irão dizer que isso acontece prq os caras são uns merdas, que não tem público, que brasileiro valoriza demais tudo o que vem de fora e mimimi. FUCKOFF, asshole! Não tem culhão para estar presente nessas celebrações, não tem o espírito headbanger correndo nas veias, limite-se a calar-se! Só quem vive isso e comparece nesses momentos para saber a energia que envolve tudo! Mas vamos ao show.

Apenas quinze minutos de atraso, e podia-se ouvir a intro de álbum The Crucible of Man, último trabalho de estúdio dos caras. In Sacred Flames, que trouxe emendada Behold the Wicked Child. Sem respirar, também emendadas, Burning Times e Declaration Day, e nesse momento já era visível o tamanho da felicidade que estampava o rosto de Jon Schaffer. Um dos inícios de shows mais devastadores que já vi, três músicas, sendo um classicasso, emendadas, sem tempo de respirar ou entender o que acontecia ali! Aí, finalmente, A banda da uma respirada e Barlow fala com o público pela 1ª vz na noite. E nesse momento pode-se perceber também em suas feições o tamanho da alegria que estava sentindo de estar ali. E então, o 1° momento arrasa quarteirão da noite: Violate – e aqui cabe o comentário: ou o Brent não está mais no melhor dos seus dias, ou o bumbo esquerdo dele estava com o microfone zuado, pois aquela metralhadora que ouvimos constantemente no Alive in Athens, que é ele mesmo que produz, não se ouviu dessa vz. Em nenhuma música, diga-se. – seguida de Pure Evil. Destruidor! Nesse momento meu pescoço já tinha “virado a cara” para mim novamente, mas como eu já estava brigado com ele desde o Metallica, nem liguei! :oP
Mais uma pausa, um belo discurso de Matt, e mais um clássico: Melancholy. Engraçado ver a dinâmica das coisas quando da execução ao vivo. Quem conhece, e até mesmo pelo nome, sabe que essa música tem uma pegada triste, densa. Porém, no refrão, a pista inteira (inclusive eu) pulava como se a música fosse das mais alegres! Particularmente, eu trocava facilmente essa por Watching Over me, e mais a frente eu percebi que não apenas eu faria isso... Mais um breve discurso de Matt, e eis que vem não a música, mas o workshop de vocal Dracula. INACREDITÁVEL o que Barlow faz nessa música! De deixar qualquer um de queixo caído! Pensei que meus pulmões fossem explodir nesse momento. :o) Ten Thousand Strong veio para mostrar que as músicas da fase do Ripper cabem facilmente na voz de Matt. Na sequência, um momento curios: Stormrider cantada pelo Schaffer! E não é que o tiozão manda bem nos vocais também?! ;o) Barlow volta ao palco, faz uma graça sobre Jon ter cantado, e chama The Hunter. E na sequência, o 2° momento arrasa quarteirão do show, e particularmente o mais esperado por mim: a trilogia de Something Wicked – Prophecy, Birth of the Wicked, The Coming Curse. DESTRUIDORAMENTE LINDO! Sem palavras, sonho de adolescente realizado!
Pausa para o bis, este que vos fala corre para o banheiro para um mínimo de hidratação, pois eu já estava num estado deplorável, e eis que eles voltam com Dark Saga, emendada na A Questiono f Heaven. Confesso que essa última me arrancou lágrimas. E, novamente sem deixar tempo para respirar, My Own Savior. Nesse momento, abri uma roda comigo mesmo e finalizei qualquer arremedo de musculatura intacta que ainda existia nas minhas costas e no meu pescoço! AVASSALADORA! Mais um breve discurso de Barlow, onde ele fesz questão de enfatizar que todas as expectativas da banda foram superadas em muito pelo público brasileiro, e eis que ele pede para que todos agitassem e cantassem ao máximo a última música: Iced mother fucking Earth! Destruição total! E o sonho tão esperado chegava ao fim.

Ficou nítido que eles subestimaram o público brasileiro. O palco não tinha absolutamente NADA, nem mesmo um pano de fundo. Não trouxeram as músicas que exigiam sampler, nem o tecladista de apoio. Porém, na pausa do bnis, quando toda a pista entoou o refrão de Watching Over me, acredito que eles tenham percebido que precisem voltar rápido para ca! E dessa vz, para um show ainda melhor. Se é que isso é possível!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Metallica - Estádio do Morumbi - 30/01/10



Show do Metallica, após 11 anos. A última vz que tinha visto a banda que me fez virar headbanger, e que me levou a ser baterista, o show havia deixado uma impressão muito foda! A energia daqueles quatro no palco era impressionante! Porém, naquela noite, lembro que o set list foi relativamente fraco. Por exemplo, nenhuma música do Kill`n All foi executada. Absurdo, não? Pois é. Já para essa turnê, as infos traziam set lists simplesmente matadores, e isso me fazia crer que esse show seria memorável. Juntava-se a isso o fato de ver os ingressos serem esgotados, e eu fui para o Morumbi ontem com a melhor das expectativas. E posso dizer que, elas não só foram plenamente cumpridas, como superadas!

Fui acompanhado pelo Adamo (1° show que assistimos juntos, em dez anos de amizade), Natan (irmão dele, fanático por Metallica e indo assistir o 1° show de sua vida), Fabi e Danilo. Legal foi o comentário do Adamo ao dizer que se sentia feliz em ver seu irmão indo no 1° show de sua vida, da banda preferida dele, ao lado do maior fã de Metallica que ele já conheceu (vulgo eu XD). Já no estádio, encontrei o Arius e o Alexis. E agora estava tudo pronto para que o maior show de minha vida começasse.

A perfeição já veio quando São Pedro, finalmente, deu uma trégua e, depois de mais de um mês sem UM dia seco, São Paulo passava sem ver a cara da chuva. Tarde agradável, show do Sepultura extremamente sacal como sempre, dez míseros minutos de atraso, e os caras estavam lá, no palco, onde todos queriam e esperavam ve-los. E a nostalgia da adolescencência veio forte quando, ao fim de Ectasy of Gold, a destruição começa com Creeping Death, me remetendo as trocentas tardes assistindo o Live&Shit. Nesse momento, eu e o Natan estávamos insandesidos! A música que ambos mais queriam ouvir, ou uma das. Na sequência, For Whom the bell tolls. FODA! O palco apagando e explodindo, lindo! Na sequência, a 1ª surpresa: The Four Horsemen. Cara, foda demais! Eu virei para o Adamo e gritava "Eu não disse? Eu não disse?", pois havia comentado no carro que eles tocariam essa. Sensacional! Na sequência, Harvester of Sorrow, e confesso que essa eu JAMAIS imaginei ouvir. E a sensação de ter voltado quinze anos, e estar vendo o Live&Shit ali, ao vivo na minha frente, ficava cada vz mais forte! E, na sequência, a música que faltou em 99, e que era a mais importante para mim: Fade to Black. A música que me fez gostar deles, a 1ª música que toquei deles inteira, a 1ª que toquei com banda e a que eu mais gostei em muito tempo. E finalmente eu estava ouvindo ela ao vivo! Chorei a intro inteira! Foda demais! DEMAIS! Ao final dela, já não restava muito de mim. E o show havia apenas começado!
Três músicas novas que eu desconheço, e o James faz a pergunta que já ficou famosa ao público brasileiro: "Vcs gostam de peso?". E essa tem sido a deixa para Sad but True, mais uma foda! Mais uma das novas, e então vem o 2° momento arrasa quarteirão da noite. One, com aquele festival pirotécnico em sua intro, com todo o tiroteio. Triste apenas ver o Lars se matando para fazer aquela sequência de sextinas de bumbo, e não conseguindo, e o som do bumbo vindo como uma grande massaroca! :/ Mas enfim. Como destruição pouca é bobagem, na sequência Master of Puppets. E, o que eu vi ali, foi algo simplesmente indescritível! Como estava na arquibancada, conseguia ver o estádio inteiro. E naquele momento eu vi o maior mar humano que já presenciei em minha vida, excluindo Rock in Rio. Simplesmente incrível aquela visão! E o público cantando o refrão mais alto que o James é algo que levarei comigo para sempre! Quando pensei que teria um descanso, Blackned! PQP! FODA DEMAIS! Mais uma que jamais esperei ouvir ontem! E então o momento mais punk para mim.
Violão no palco, deixa para Nothing Else Matters. Não imaginei que ela chegaria em mim como chegou. Cheguei até a abrir o cel para fazer as vzs do antigo isqueiro. Porém, quando James cantou "So close"... bem, eu desabei. Aquilo bateu em pontos aqui dentro que eu não estava preparado para tal. E eu não consegui abrir os olhos um segundo que fosse da música. Chorei durante TODA sua execução. Punk demais, foda demais! Só consegui me conter quando eles começaram Enter Sandman, e ali eu senti pela 1ª vz o templo chacoalhando! Indescritível a sensação!
Pausa, e eles voltam para o bis. Stone Cold Crazy e Motorbreath (!!!) quase emendadas, sem dar tempo de respirar! Matador! E para fechar, com pedidos do James para que todas as luzes do Morumbi fossem acesas, Seek&Destroy, com seu refrão cantando de uma forma que acredito deu para ouvir do Parque Antártica! :oP

Acho que a melhor forma de fechar essa resenha, é com o comentário feito pelo Adamo, na volta: "Todo começo de música, eu olhava para vc e para o Natan, e parecia ano novo! Só dava vcs gritando, se abrançando, chorando, pulando!"